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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

18
Nov20

Um bocadinho abaixo do Polo Norte

Maria

20201118_132527~2.jpg

 

Hoje voltei ali só para sentir-me dentro do "postal". Desta natureza sublime. Desta paisagem desafogada. Deste silêncio gritante. Deste contacto com o nada tão cheio de tudo. Parei e olhei só para respirar fundo duas vezes e seguir. Seguir em frente. Sempre. E partilhar com vocês um pouquinho deste Douro. Perdido um bocadinho abaixo do Polo Norte.
E LINDO sem qualquer filtro 💙

[passaram-se quinze dias para voltar a fazer o caminho, sair e ir ao trabalho, este caminho e voltar para a nossa bolha. foi tão bom. oh mundo, por favor, volta ao normal]

...e vocês, de que sentem mais falta?

10
Nov20

De volta ao teletrabalho

Maria

Depois dos 67 dias em teletrabalho no início da pandemia se me dissessem que voltaria ao teletrabalho não acreditaria. Porque quis que aquilo tivesse sido um exemplo pontual. Porque quis muito pensar que as coisas fossem realmente melhorar. Porque quis muito acreditar que tínhamos tempo suficiente para "programar" um novo ataque/vaga. Porque quis acreditar que medos os há mas que não os varremos para debaixo do tapete e sim os enfrentamos. Porque quis muito acreditar em pessoas. Ter fé nelas. Achar que as pessoas não precisam ser obrigadas a fazer algo e a fazê-lo por si. Eu, numa pontada de loucura acreditei, até chegar aqui ao início desta nova vaga e ver que a inconsciência das pessoas é ainda surpreendente. Que conseguem ser piores que aquilo que uma pessoa pensa. Que conseguem mesmo perante uma pandemia dar voz ao seu umbigo e não pensar em comunidade, no próximo, nos amigos e na família. Sobretudo nos mais velhos. Nas "presas mais fáceis". Nos mais vulneráveis.

(aqui foi uma festa de anos que originou talvez o maior número de casos positivos ao mesmo tempo, isolamentos e pessoas que omitiram estar na dita festa... festa que originou com que familiares da pessoa que fez anos chegassem a estar internados - pessoas que perderam qualquer credibilidade como seres humanos para mim)

E isto, oh pá, isto é muito triste.

O caminho mais fácil é talvez apontar o dedo. A quem? Ao governo que numa visão ampla pode parecer quem está mais à mão de semear para ser escrutinado e por ser um alvo fácil de atacar. De apontar. De crucificar. E de dizer que não valem um chavo.

Sim, nós sabemos que isso é muito fácil de fazer. Principalmente por quem não dá "voz" ao seu direito de voto e deixa para os outros. Principalmente por aqueles que acham não ter que olhar para o que eu faço mas para o que os outros fazem..

Fácil.

Se calhar, a maioria dos que têm uma voz mais activa insultando o governo pela actual situação são mesmo aqueles que, no perímetro dos seus actos e valores, continuam a sair, a ir a festas, a abraçar os amigos e família. A não fazerem uso da máscara. A não manterem distâncias sociais. A não acharem que isso bate a qualquer porta (normalmente só à do vizinho). A não acharem necessário uma quarentena ou mesmo um isolamento porque não querem saber. A omitirem sinais.

Eu não quero com isto dizer que, concordo com todas as medidas e decisões que o governo toma, longe disso, mas continuo a achar que, por cada insulto que leio ao nosso governo a cada nova medida, algures por aí há uma criatura que infecta um membro da família pelos seus comportamentos inadequados e continua a assobiar para o lado.

Sim, há pessoas, jovens, adultos, que ainda continuam a assobiar para  ar.

E eu que concordei com o Costa quando ele disse que era melhor ele nos aconselhar a uma coisa que nos obrigar... não sei onde estava com a cabeça a achar que certas pessoas percebiam a mensagem.

Não perceberam.

E eu não percebo as festas. Não percebo os casamentos e que me desculpem quem casa, mas nesta altura não percebo. Não percebo as festas em família ou com amigos com grandes aglomerações. Mas não consigo mesmo entender as festas na rua (porque não conseguem fazer em sítios fechados muitas vezes) e onde todos se juntam para grandes brindes, danças, e chegas para cá.

Eu que adoro festas. Sou tão de abraços e brindes. Jantaradas e saídas para conversetas e gargalhadas. Eu que adoro a minha família. Que sempre tivemos todas as desculpas do mundo para viver em convívios em casa uns dos outros. Eu que tenho família fora que não vejo quanto gostaria. Eu que tenho familiares a linha da frente que não abraço há meses e faz-me falta. Eu que não tenho estado com os meus amigos, que não vejo a minha melhor amiga há meses...

Eu que tenho a minha Mãe que foi operada e ficou ainda mais vulnerável e evito estar com ela sem máscara (mesmo dentro de casa usamos máscara durante quatro semanas) que comemos distanciados e que reduzi ao mínimo necessário qualquer saída em prol do outro... não consigo perceber as atitudes de certas pessoas.

Isto é triste.

Um dia destes entrei numa loja aqui à beira de casa, para ir buscar uma encomenda que tinha feito e vejo alguém na loja que sei que há pouco tempo tinha dado positivo (por causa da tal festa até) e pensei para os meus botões, qual a necessidade daquela pessoa estar ali, não trabalha, só costuma dar à língua aqui ali e acolá e não consegue manter o rabo em casa, acreditando que já tivesse passado a quarentena, mas que poderia manter-se resguardada visto que ver as novidades de uma loja de roupa não me parece um bem necessário. Sair por sair continua a ser o dia a dia de pessoas que não se interessam pelos outros. Mas que esperam que se interessem por elas quando forem entupir os hospitais por terem uma mentalidade de amendoim...

A culpa de estarmos como estamos é das pessoas que não tiveram actos conscientes. Perdão - que não tiveram e não têm.

 

Isto para dizer que estou desde sexta-feira em teletrabalho e do alto da minha janela, com um mundo meio virado do avesso, tento buscar a paz necessária para garantir a minha sanidade mental para conseguir fazer o meu trabalho, para conseguir proteger os meus, para tentar evitar entupir a linha da frente, para tentar organizar os meus medos, frustrações e ansiedades. Para tentar ser melhor pessoa, como sempre tento todos os dias. 

Não quero com isto dizer que agora vamos todos enfiar-nos dentro de casa e fazer de conta que não existe nada lá fora. Mas evitem saídas desnecessárias. Pessoas que raramente ficam doentes a precisar de cuidados hospitalares ainda consigo perceber a vossa estupidez mas isto está longe de acabar e os hospitais vão falhar ainda mais nas respostas. Porque eles tentam ser super-heróis, mas nós sabemos que os super-heróis às vezes só existem na nossa cabeça. E isto não é só Covid-19. Os serviços hospitalares são muito mais que isso...

Pensem um bocadinho. Se não for pedir muito.

Cuidem-se e cuidem dos outros antes deles precisarem mesmo  

01
Nov20

Sweet November

Maria

Novembro de há uns anos aqui passou a ser um mês agridoce. Das melhores lembranças às um bocadinho menos boas. Do aniversário de uma das pessoas mais importantes na minha vida ao cuticar feridas abertas de outrora. Novembro passou a ser um mês muito bom para ser um mês assim assim.

E chegamos a este Novembro de 2020, a este dia 1 longe do que habitualmente se faz, estar em família.  Com família,  com abraços,  conversas em dia, partilhas e gargalhadas. Hoje estamos longe disso e como se não bastasse, aqui #umbocadinhoabaixodoPóloNorte fazemos parte destes 121 concelhos com regras mais apertadas a partir já do dia quatro.

20200316_184748.jpg

[ da minha janela ]

Algum dia pensei escrever isto? Jamais!  Mas o caos lá fora assim obriga a este recolhimento obrigatório e sabe Deus, nos próximos dias mais o quê. Mas a pandemia está à nossa volta. A crescer tipo erva daninha de forma invisível e tão surpreendente como quando apareceu em Março mas agora com mais força e com um sistema de saúde de mangas arregaçadas mas a desfazer-se nas costuras para aguentar a pressão. E a nós cabe-nos fazer o melhor pelos da linha da frente e pelos que estão a lutar contra o "bicho" - ficar em casa. Reduzir contactos. Sair o menos possível. Ser cautelosos. Cuidadosos. E lembrar-nos sempre dos mais velhos.

Ainda hoje cá na terrinha uma senhora idosa faleceu com covid-19 e foi levada para o cemitério sozinha porque quase toda a família está infectada. Que tristeza esta nos corações destas pessoas de não se poderem despedir e acompanhar estes últimos minutos da pessoa referência de família? É tão triste... e é preciso lembrar que cada um de nós é um agente de saúde pública e por não acontecer só aos outros, todos os cuidados são poucos...

E de repente "Sweet November" soa mesmo só a título de filme...

Cuidem-se e que Novembro consiga superar este caos e trazer-nos alegrias!

O mais doce possível Novembro a todos 🤞🙏🌈

 

08
Jan20

Peripécias deste lugar à beira Pólo Norte plantado.

Maria

0ºC

20200108_085710.jpg

20200108_085721.jpg

 

Lá em casa apanhamos todos o vírus da gripe. E febre. Ontem saio eu de casa com 38 graus. 1ºc cá fora e o vidro do carro completamente congelado e tudo branquinho. Até as portas estavam congeladas e vi-me para abrir. Mas pior mesmo foi ter que pegar na mangueira para tirar o gelo dos vidros do carro e senti aquela água tipo icebergue a picar-nos as entranhas.

Coragem Maria, coragem.

Hoje, mal abro a porta de casa senti que tinha em sonhos aterrado lá no Pólo Norte. Tudo branquinho. O quintal, as couves, as escadas, as flores, os telhados das casas. A rua. E o perigo de deslizar e andar aos tombos. Os carros. O meu carro ainda com uma camada pior que a de ontem, marcava 0ºC, o carro custou a pegar e o pior mesmo foi pegar na mangueira, também ela hoje congelada e esperar que aquela água me deixasse sem quase sentir o polegar de tanto gelo que estava. 

20200108_085741.jpg

 

É toda uma aventura para te lançares à estrada. Até porque a fina camada de água que ao lavares o carro fica, congelada imediatamente até ao momento em que entras dentro do carro e é todo um processo de, depois não veres nada dentro do carro para te lançares à estrada, principalmente quando no cruzamento para saíres da tua rua para a estrada principal, não vês um chaveto prós lados e os vidros teimam em não abrir porque já congelaram novamente.

Coragem Maria, coragem!

A sorte que tenho do stock de gorros e das luvas novas que ofereceram no Natal e que não dispenso, porque além de gripada ter a coragem de sair de casa assim é dose.

E depois toda a viagem tem que ser feita com outro cuidado porque além de estar tudo branquinho nas bermas das estradas, há zonas na estrada mesmo que não batendo o sol o gelo fica mais tempo e uma pessoa até vê esse perigo a brilhar principalmente em curvas!

Nas montanhas nem sei se já há neve porque nem as consigo ver, mas se não vier chuva, vai nevar. 

E o Douro continua há vários dias barrento.

IMG_20200107_133736_076.jpg

 

Coragem Maria, coragem. Tu sabes, a vida não é fácil para quem mora ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte.

 

[ontem quando saí do trabalho por volta das 18h estavam 2ºC e ao telefone com uma amiga que estava em Lisboa, ela disse que marcava lá 12,5ºC até ajuda a perceber, porque é que quando vejo fotografias de certas influencers acredito que elas não sobrevivessem, com o que vestem, aqui na terrinha. É impossível]

17
Out18

O que reconforta dias menos bons no trabalho?

Maria

Dou um exemplo.

Trabalho com uma equipa de Lisboa que é muita simpática. Já há uns anos. Não conheço pessoalmente ninguém, mas falamos muito ao telefone. E quase todos os dias por email.

Aqui na empresa também ninguém conhece a equipa. No ano passado, no Natal mandaram-nos uma caixa de chocolates com a mensagem "para a equipa mais simpática do norte".

E uma pessoa fica babada. Primeiro porque nunca fomos apresentados, mas já com tanto tempo de trabalho "juntos" e através de chamadas, emails conseguem ver que somos essa equipa simpática.

Cada dia que abro um email da empresa e que começa por "Olá Olá equipa mais simpática do Norte" , "Olá boa tarde gente Boa do Norte" seguida SEMPRE de um sorriso aquilo faz o dia. Porque é sinal que o trabalho que estamos a fazer está a ser feito da melhor maneira, daquela que é a nossa maneira de trabalhar e de estar na vida. Na verdade a nossa equipa é mesmo simpática, somos todos boa onda, e gostamos de resolver tudo sempre em bem (até as nossas divergências clubísticas!). E isto é reconfortante. "Oferecemos sempre cafés e sorrisos". É o que dizemos todos aqui. E na verdade é mesmo bom quando alguém nos diz que gosta de trabalhar connosco. Felizmente há muita gente que vem cá e nos diz. Mas dizerem-nos quando nem nos conhecem o rosto, quando nunca nos apertaram a mão, quando nunca nos olharam nos olhos é mesmo muito bom!

Assim como outro exemplo que tenho um senhor de outra empresa que também não conheço e que normalmente manda emails como "Bom dia cara linda" "cumprimentos menina simpática"... e uma vez, visto que nunca nos vimos pessoalmente em tom de brincadeira disse-lhe ao telefone "olhe a minha sorte de não me conhecer pessoalmente, os seus bons dias são sempre diferentes" ao que me respondeu "uma pessoa tão simpática como você, que o é sempre, só pode ser uma cara linda". Eu agradeço até porque este é um dos senhores que sempre me manda umas garrafinhas de maduro tinto no Natal (ahah).

E é isto.

 

E isto bate muitos pontos no que diz a satisfação no trabalho.

Se é que me entendem...

14
Mar18

Atendimento: Lisboa vs Porto

Maria

Não venham já prontos para as chibatadas malta de Lisboa, que para isso há as excepções e os exemplos e isto é só um, mas... cá no trabalho e com tantos anos a lidar com departamentos de tantos sítios, posso afirmar que o pessoal do Norte é de outra geração.

É certo que fala muito num "eu cá tu lá" de como se nos conhecêssemos todos há imenso tempo mas na verdade encurtam distâncias.

Estava aqui com umas dúvidas em relação a uns inquéritos chatinhos que só eles que obrigatoriamente têm que se fazer e eis que, não conseguindo avançar decido ligar para me elucidarem do tema e me ajudarem a fazer as coisas bem. Ligo para a central, Lisboa. Exponho a minha dúvida e peço que me ajudem porque não consigo mesmo entender aquilo.

Do outro lado (Lisboa):

- Como pode ver, na explicação diz - e a senhora lê exactamente o que lá está (incluindo palavras "caras" e termos técnicos que fizeram com que eu não percebesse patavina) - e é isso mesmo, o código solicitado tem a ver com o qual enviam na declaração.

Eu: Pois eu li isso antes de ligar, mas na verdade não estou a conseguir chegar a um código devido às variantes do mesmo.

- Olhe o melhor mesmo é pedir a uma contabilista que deve chegar lá mais rápido. Porque na verdade o que pretendem é mesmo o que está escrito. E antes de desligar pode responder a um inquérito de satisfação para avaliar como somos na resolução dos problemas?

...

...

Ora, não gostei da resposta. Logo não fiquei satisfeita porque não me resolveu o problema, limitou-se a ler o que lá estava sem explicar e ainda me diz para me informar com outras pessoas.

Até que, ao olhar para o site, me apercebo que tem delegação no Norte.

Calma Maria, penso eu de que, liga lá para o Porto que pode ser que te ajudem mais. E ligo. Exponho exactamente a mesma dúvida e peço que me ajudem se possível.

Do outro lado (Porto):

 - Então vamos lá ver isso, estou a falar com?

Eu: Maria

 - Então Maria é assim, deixe-me ler para explicar...

Ora eu também não sei bem qual é o código mas vamos lá descobrir isto juntas sim?

...

...

É isto - ganhou uma amiga prá'bida -. Conseguem adivinhar que respondi ao inquérito. Fiquei satisfeita. Fiquei a perceber  que não falava de "bugalhos". E ainda lhe dei nota máxima no atendimento.

Por norma sim, acho que no Norte somos muito mais "prestáveis" e simpáticos.

E isso explica muita coisa, quando trabalho com uma empresa de Lisboa há alguns anos e ainda hoje é o dia em que enviam emails a começar:

"Olá simpática equipa do Norte".

06
Fev18

Peripécias deste lugar à beira Pólo Norte plantado.

Maria

-2ºC 

Quando o teu rádio, como forma de protesto por o teres deixado a dormir ao relento resmunga contigo. E como? Remetendo-se ao silêncio...

20180206_090040.jpg

 

Sim é isto. Até o rádio parou de funcionar. Por isso imagino as temperaturas de madrugada...

As manhãs no inverno estão longe de serem aquilo que tu achas que elas poderão ser.

Se gostas de olhar pela janela para teres uma primeira impressão de como estará o dia cá fora, esquece. Está tudo muito bonito. Céu azul lindo. Poucas nuvens. Sol radiante. Pões um pé fora da porta e os dois graus negativos até te congelam a alma.

Aquele descer as escadas a olhar para o carro é o processo mais doloroso, muito mais que a espera da água na mangueira congelada. E é toda uma ventura para te lançares à estrada.

Coragem Maria, coragem. Tu sabes, a vida não é fácil para quem mora ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte.

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