Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

13
Set21

Maria, o que trouxeste das férias?

Maria

[ A mochila com mais bagagem ]

Já estou a trabalhar há duas semanas e parece que as férias já nem lembram. Queremos voltar com as energias renovadas e em alta mas confesso, mais uma vez até porque tenho a sensação que é muitas vezes assim, voltei cansada e com o ritmo tão acelerado que este ano o trabalho está, nem tenho tido tempo parar respirar em condições. Tanto que um dia destes na minha hora de almoço adormeci. Quando isso me aconteceu? Nunca que me lembre.

IMG-20210829-WA0002.jpg

 

Voltar cansada no meu caso é porque aproveitei ao máximo o que tinha para aproveitar naqueles quinze dias. E o melhor? Aproveitei os meus. Voltamos a estar juntos. No verão, coisa que não acontecia há imenso tempo e foi só óptimo. Passeamos todos juntos. Juntamos ainda mais família. Houve reencontros que há anos e anos não aconteciam. Fomos a sítios que nunca fomos juntos. Rimos muito, abraçamos, visitamos. Comemos melhor. Ficamos até tarde a conversar. Fizemos zero em alguns dias. Mas estivemos juntos. Nada, mesmo nada mais importa. E só por isso foi maravilhoso. 

Estivemos em sítios prometidos (Fátima). Fomos a lugares que não visitávamos há muitos anos mesmo, como São Leonardo da Galafura. Voltamos a lugares de infância como as Pias!

Consegui antes disso, tirar uns dias com amigos. O melhor também? Consegui juntar duas das minhas melhores amigas de infância/escola em férias. Partilhamos casa, rotinas, gargalhadas, jantaradas e conversas. Continuo a dizer que, melhor que fazer novas amizades é conseguir juntar as antigas. Conseguimos. Correu bem. E foram uns dias bem passados.

Conseguir ter amigos que façam parte da nossa bagagem em tantos anos que vamos escrevendo história é raro e muito bom mesmo. Traz-nos a sensação que estamos a fazer alguma coisa bem. Que o que transmitimos tem eco sentido.

Como acho que sempre dei a entender, se tiver os meus perto, sejam família ou amigos que viram família está tudo bem. É o que realmente importa. É o que levamos desta vida. É o melhor que podemos ter, pessoas do bem connosco. No matter what. Eu tenho sorte. Eu sei. E agradeço.

Claro está, também trouxe quilos a mais. Sim dois quilos e meio a mais das férias que vão agora demorar tempos infinitos a desaparecerem, se d-e-s-a-p-a-r-e-c-e-r-e-m!

E não comi a bola de berlim na praia. Juro. E fiz praia, pouca é certo, mas fiz. Mas comi muita coisa boa a compensar! Nem falo da melhor comida do mundo, esmerada por estarmos todos juntos, mas foi cabidela, muito arroz do forno, batatas assadas e carne, muita carne. Postas de bacalhau de nos atirar pro lado. Assados na brasa. Vinho caseiro. Vinho maduro tinto, vinho rosé. Francesinhas. Pizza da boa. Cavacas. Bolo do alto amarelo. Doces (fatias) do Freixo. Ovos moles. Bolos variados. E foi muito isto. Há falta de bola de berlim na praia uma pessoa não fez por menos (que o diga a balança!).

Valeu pelo passeio que foi tão bom quanto os momentos em que estivemos sentados todos na varanda a não fazer nenhum na conversa. Não se esqueçam - o melhor da vida é estar junto. Junto dos que se amam. E está tudo bem e certo ❤🍀

E as vossas férias foram boas?

 

Podem sempre acompanhar todas as novidades pelo Facebook. Ou pelo Instagram - @sorrisoincognito 》

10
Ago21

Um bocadinho abaixo do Pólo Norte

Maria

Parece que Agosto começou há uns dias e eu nem tempo tive para um único post. E Agosto é o meu mês de sorrisos, de renovar energias. De férias. De família. De coisas boas. E partindo do principio que até me esqueci de fazer o desafio #quenuncanosfaltemsorrisos que já costumo fazer... está muito dito!

20210810_142317.jpg

 

Não me lembro de um ano com tanto trabalho. Com tantos percalços pelo caminho, psicologicamente cansada tanto a nível profissional como pessoal. Desgastante. Chego a Agosto com um grito interno de férias como não me lembro. Férias sempre são bem vindas, mas este ano sinto que é a bomba que preciso para respirar mesmo melhor.

Este ano queria mesmo ter mais tempo para este cantinho. Foi um objectivo quase aqui escrito, mas não o cheguei a fazer e mesmo assim, o meu psicológico fica um pouco desiludido por não estar a conseguir cumprir. No entanto não estou a conseguir fazê-lo de maneira espontânea, logo não escrever é o que me faz sentido. Não vou escrever por escrever. No entanto sei que tinha muito para fazer e conseguia vir aqui buscar aquilo que sinto que estou a precisar - como sempre - o equilíbrio na escrita e na partilha das palavras que me traz.

Acho que a falha tem sido também minha. Além do trabalho estar a absorver muito de mim e não estar a conseguir ser capaz de me libertar assim que saio dele, não estou a conseguir impor "barreiras" na minha luta diária.

Cá dentro já tive muito melhores dias. Anda ainda tudo muito revolto. Sem conseguir amenizar as energias e alinhar os chacras. Não estou a conseguir separar águas. E sei que essa falha é só minha. E espero que os dias de férias que ansiosamente estão quase a chegar me ajudem a respirar melhor. Estou sempre a pensar em mil e duas coisas. E no final, sinto que troco e faço emaranhados de situações.

Sei que não consigo chegar a todo o lado. Sei que não tenho que ficar triste por não estar a conseguir resolver coisas que não dependem só de mim. Tenho consciência que tenho tentado dar o meu melhor em todas as situações. No entanto continuo com a pergunta será que o meu melhor é o suficiente?

É nestas alturas, talvez uma fase menos boa, que agradeço por ser uma pessoa positiva que apesar das dúvidas inevitáveis tenta ver o copo meio cheio, a luz ao fundo do túnel e acreditar fazendo figas que tudo se vai resolver e alinhar. 🤞

[Ontem foi dia 9, dois meses sem o meu primo. Que continua a ser a pessoa que me aparece nos primeiros lugares assim que abro o messenger para enviar uma mensagem. Ou assim que abro o facebook. Que me continua a aparecer nas memórias do face. E que assim que recebo um vídeo de humor de alguém me apetece ir enviar-lhe. Eu não estava fisicamente com ele há algum tempo, merdas da pandemia, mas trocávamos fotografias, mensagens, vídeos, imagens de rir quase todos os dias. E esses dois minutos entre o receber a mensagem e soltar uma valente gargalhada davam-me anos de vida. Ainda custa acreditar.]

Não sei bem dizer se houve ali um momento específico que me fez deixar cair quase a toalha ao chão. Mas sei que ela ficou um pouco pesada nos últimos tempos. E sei que, por muito que seja a ultima pessoa a transparecer isso, a não deixar de sorrir sempre, não consigo ser a mesma.

O lado bom disto tudo é que faltam três dias e umas horas para estar de férias e a coisa está quase a ir ao sítio (só energias positivas desse lado vá 🙏) espero notícias positivas. Boas conversas. Reencontros. Biquini all day. Petiscos bons porque são a cura para muitos males e Caipi blacks fortes com força porque convenhamos ajuda. E os meus juntos. Os meus juntos! E isto é só o que mais quero - ali um bocadinho abaixo do Pólo Norte já que não apanhei a promoção ou a agência de viagens que "todos" apanharam para ir para as Maldivas!

Está tudo a ficar certo ♡🍀 (eu espero!)

31
Jul21

Feliz aniversário ♡

Maria

Lomogram_2013-08-23_06-17-48-.jpg

 

Tenho saudades daquele abraço que é só teu. De te pegar ao colo. De vibrar com cada gargalhada que dás e que enche as medidas. És tão nós. Tenho-te saudade de dar-te a mão para não caíres. De te melgar com tantos beijos e abraços, de correr contigo, de brincarmos juntos e de ser a palhaça de serviço. 

Como tu estás um crescido. Como a tua voz já mudou, como já deves estar mais alto que eu, porque na última vez que estivemos juntos já estavas quase. Como continuas a ser um menino de tão bom coração,  de bons princípios.  De ser muito amigo dos teus amigos.  De te preocupares com todos à tua volta. Como isso te faz ser tanto na nossa vida e tu nem te dás conta.

Seres um menino do bem é um orgulho e só desejo que esse seja sempre o teu caminho. Que sejas imensamente feliz, que a vida te sorria. Que não percas esse teu sentido de humor e Amor ❤

Mesmo a milhas de distância amo-te milhões.  Mais que ontem e menos que amanhã.  Parabéns meu pikeno. 🎂🎉

13 voltas ao sol 🍀

31 de Julho 

23
Jun21

A vida é um lugar estranho e bom. Mesmo com dias de merda.

Maria

A Douro

 

É impossível não partilhar isto. Não escrever sobre isto. Não dizer duas ou três coisas que preciso.

Ainda que, não saiba o que dizer. Como o dizer. Ou se quero sentir o que vou sentir ao escrever. Mas partilhar em palavras aquilo que sinto sempre foi a minha melhor versão.

Perdi há duas semanas, uma das melhores pessoas da minha vida.

Do meu crescimento. Do meu sangue. Daquelas que partilhavam o mesmo lema de sorrir, todos os dias "no matter what". Daqueles que me ensinou que a criança dentro de nós é preciso mantê-la para bem da nossa [in]sanidade. Daqueles que me faziam sorrir quase todos os dias, ainda que há distância com as parvoíces que me enviava e que era constante no seu estado de boa disposição. Sempre pronto a ajudar. Sentido de família. Cheio de vida e onde estivesse não deixava ninguém indiferente. Com uma facilidade em fazer amigos em qualquer lado. Sempre na tanga a dar-nos aquela dificuldade em perceber se era "agora" que estava a falar a sério. A ver o copo sempre a transbordar.

[ Dá saudade. Dos encontros que já tínhamos meio definidos para juntar os estarolas. Dá saudade a cada fotografia. Dá saudade a cada canto da vossa casa. Dá saudade ao olhar para os miúdos. Para os teus pais. Dá aquele aperto, daquela mistura de saudade e de ainda estarMOS a tentar acreditar que aconteceu.

Há uma semana vi-te a ultima vez na despedida e por entre as lágrimas só me apeteceu dizer-te "vá deixa-te de tangas levanta-te daí". Porque tu eras assim. Os encontros de família não vão ser mais os mesmos. De todo.

Porque há dias de merda. e o dia em que partiste foi definitivamente um dia de merda. Sem tentar perceber o que pode explicar o inexplicável é tentar aceitar. 

Cada um sente a perda de alguém de diferentes formas. Nem todos nos tocam da mesma maneira e isso nunca se impõe. É simplesmente  sentido e verdadeiro o que cada um é na nossa vida.

O fugaz e inesperado, o que surge sem aviso prévio é ainda mais difícil. Os dias passam a dor não tem diminuído e o facto de muitas vezes não se conseguir exteriorizar coisas é ainda mais difícil. Dizemos sempre que o tempo ajuda. Mas o tempo aumenta a dor, as perguntas e o difícil que é não há nada a fazer. 

Entre o luto, os silêncios, as noites, as lágrimas, as recordações faz eco a tua gargalhada, a tua sempre grande e efusiva gargalhada. "Oh prima Oh prima" fica-me para sempre cá dentro. Muito mais nestes dias de merda que as tuas mensagens já não entram para me fazer soltar aquela gargalhada enquanto dizia "só tu!" ]

Há dias em que a Vida nos prova que é uma grande filha da puta. Que é injusta. Que leva os melhores de entre nós demasiado cedo.

 dia 9 foi um desses dias.

E eu só quero que estejas em paz ❤

 

 

Podem sempre acompanhar todas as novidades pelo Facebook. Ou pelo Instagram - @sorrisoincognito 》

03
Mai21

Todos os dias são dias da Mãe

Maria

Ontem foi o dia da Mãe no calendário, mas todos os dias o são.

Amo de coração a minha e não me sendo cliché - Ela é a melhor Mãe do Mundo.

Dia da Mãe

 

Nunca ninguém me verá aos olhos dela. Nem nunca ninguém me fará sentir o que sinto quando ela me olha. Parece que se precisar de alguma coisa, são aqueles olhos que me acalmam. 

Ensinou-me das melhores coisas do mundo. Sorrir sempre. E continua a ensinar-me que todos os dias são dias de luta e que o melhor é enfrenta-los com um sorriso. Que tem que se ser positiva porque depois se verá, o que tiver que ser será. Continua a ensinar-me que é bom manter contactos. Que a família é importante. Que não precisamos de andar aos abraços mas é preciso saber se está tudo bem com o outro. Que quando alguém tem alguma coisa, todos juntos fazem a diferença. E que não devemos esquecer ninguém. Mesmo que, por vezes tenhamos sentido que alguém se esqueceu de nós...

Continua a dar-me lições de vida todos os dias. A ter a paciência que ainda me falta para muitas situações. A querer chegar a todo o lado e a olhar sempre primeiro para os outros. Tem um coração onde cabe tudo. 

Queria ser-lhe sempre melhor, mas sei que também falho. Queria poder dar-lhe mais, mas às vezes não dá. Queria olha-la com os olhos de Eu - Mãe, mas ainda não consegui. E sei que ela seria a melhor avó dos meus filhos. 

Às vezes as pessoas tocam em feridas que nem sabem. E há dias em que aquele colo de Mãe ainda continua a ser o único porto de abrigo. E o melhor.

Amo-te Mami. Que a vida te sorria.

Um beijinho a todas as mães. Àquelas que o sabem ser. Àquelas que o gostariam de ser. Àquelas que o são de coração. Àquelas que continuam a tentar. Àquelas que se orgulham em sê-lo.

IMG_20210502_140043_626.jpg

 

Um beijinho especial à minha Mãe ♥ para quem ontem fiz este bolinho cheio de amor!

21
Mar21

Do 21 de Março. Deste dia que sempre me é primavera

Maria

És e serás sempre a minha primavera que me começa desde que me conheço a 21 de Março.

Não são as datas. Mas é o teu dia.

Do melhor. Do melhor irmão que a vida me deu. Se não fosse esta pandemia talvez voltasse a estar contigo no teu dia de aniversário coisa que infelizmente não acontece há muito tempo, mas em breve espero que te esborrache num abraço sentido dos nossos ❤

Aqui, ali ou acolá, mas juntos mesmo com esta distância que nos separa.
Desejo-te um dia feliz! Uma vida feliz e mil sorrisos! Mais cedo ou mais tarde estamos juntos.
Parabéns Mano! Amo tu 

21
Dez20

Há impossíveis, nós sabemos que os há. E "está tudo bem"

Maria

IMG_20201221_101818_060.jpg

 

Nós sabemos que é um cliché dizer "não há impossíveis " porque na verdade Nós sabemos que os há ( e "está tudo bem"), mas queremos de alguma maneira acreditar sempre que conseguimos ultrapassa-los e sermos mais que isso. Que havemos de conseguir contornar a coisa. Que temos esperança nem que seja em última instância num milagre. E eles acontecem. Às vezes. Nas vezes que não acontecem... temos mesmo que fazer valer a pena sem esses impossíveis que não conseguimos inverter.
Na verdade podemos não conseguir que as coisas sejam feitas como amamos fazer, mas... temos que as amar da maneira que são feitas. Mesmo que o nosso coração não esteja em pleno, que seja em pleno que consigamos arranjar o melhor sorriso para estes dias ❤

17
Set20

Este país não é para velhos - o tanas!

Maria

[imagem retirada da internet]

Eu tenho uma ligação muito grande com a minha família. Sou muito família. Os meus são[-me] tudo e não é cliché.

Cheguei a não perceber porque as famílias não se dão. Porque não se falam. Porque embirram. Porque não convivem. Não é que agora não perceba. Mas o sangue não é tudo, assim como o amor. Tive que entender que podemos ter o mesmo sangue a correr nas veias mas somos pessoas diferentes, pensamos diferente, queremos diferente e deixamos muitas vezes as divergências quebrarem a ligação... outras vezes são após terceiros aparecerem que as ligações se fragilizam.

Mas no meio disto tudo, não sei se pelos valores que me passaram, se pelos ensinamentos que tive, se por infelizmente só ter conhecido uma avó e sentir que me faltou conhecer os outros... no meio disto tudo eu prezo muito a família. Os momentos em família. As conversas, as partilhas, as experiências que nunca vamos ter na vida. Os conhecimentos, as lendas, o antigamente...

Quando olho para o lado, talvez para outros com a minha idade, ou mais novos, não vejo isso. Não levam a família assim "tão a sério" e as ligações perdem-se... principalmente com os mais velhos.

Não sei se o facto de estar solteira influenciou, mas acho mesmo que não, sempre fui família e prezei muito as ligações familiares, mesmo quando estou acompanhada.

Gosto imenso de quando se juntam e não me importa de ouvir contar certas histórias repetidamente. A velhice traz isso, do esquecer o que já se disse, do querer partilhar o que marcou, do querer lembrar o que já lá vai há muito. Nós lá chegaremos. E sinceramente acho que seremos pessoas mais solitárias que os velhos do nosso país neste momento, porque infelizmente cada vez mais eles são descartáveis porque o ser humano está mais egoísta e só pensa naquele que se move à volta do seu umbigo... um dia vai sentir-se na pele o que é ser-se velho e os olhares de "empata" que certas pessoas mandam.

Um dia destes, em família, ouvia uma história de há mais de uns cinquenta anos, de uma história de amor que não acabou, mas que passou para outro plano visto que infelizmente uma das pessoas já faleceu e perdi-me enquanto a ouvia...

Hoje ama-se menos, com menos respeito, com mais inseguranças e com menos valores. Com muitas expectativas em pouco empenho. Numa experiência que é viver muito o hoje, em que não se investe, não se trabalha no outro, em que o desistir é mais fácil.

Eu visito muito os meus tios e não visito mais a minha família porque a vida é assim... mas enriquece-me o tempo com eles. Gosto imenso de os fazer sorrir. De ser a palhaça com eles como sou com a minha afilhada de três anos. De lhes dar a minha companhia, de os abraçar (e como agora sinto essa falta) de os ver em pleno quando reunidos.Gosto muito da família que me calhou. E quando eles me agradecem por aparecer, sou eu que fico agradecida por ainda os ter e por os ver numa luta que é geral aos nossos idosos - a incerteza do amanhã, a conquista de um lugar bonito na vida de outros, o carinho, agradecimento e compreensão.

Este país é deles, antes de ser nosso.

30
Mar20

Vai ficar tudo bem!

Maria

Estamos a passar por algo que nem nos nossos pesadelos a seguir a um filme de terror estaríamos a ponderar sequer algum disse que fosse possível. De todo. Acredito. A todos.

Mesmo a esses que ainda assobiam para o ar como se não fosse nada com eles, como se não seja importante a vida do próximo, a luta do próximo, a ajuda, a dificuldade, a fé... do próximo. Até que, só quando lhe for mesmo próximo,ou bater à porta vá ter consciência deste inimigo invisível. Que não seja tarde demais. Mas que se for para escolher, que haja a frieza e o poder de decidir por quem fez as escolhas certas ao invés de quem optou por ser um estupor, mais uma vez na vida.

Adiante.

IMG_20200330_191822_968.jpg

 

No dia 13 decidi a minha quarentena voluntária. Ainda que à espera da validação do tele-trabalho, onde no dia 16 tive que passar no escritório buscar as minhas coisas para seguir com o tele-trabalho e desde então, não mais saí de casa a não ser para ir à farmácia comprar a minha bomba. Tentei fazer tudo direitinho. Incluindo o ensinar aos meus pais que não podem mesmo sair. Por muito que isto custe, por muito que possamos achar que se vai só ali. Por muito que se acha que se consegue tomar todas as medidas necessárias e nada falha. Pode falhar. E eu quero tentar que não falhe. Por mim, mas muito mais por eles. Pelos meus. E por aqueles que sofrem tanto com isso. Por quem está na linha da frente a dar o tudo e mais alguma coisa, sem o maior apoio que é a família perto. E falo muito dos médicos, enfermeiros, pessoal da saúde mas não só, falo das forças de segurança, falo dos farmacêuticos, dos transportes de mercadoria que nos trazem bens essenciais, dos bombeiros, dos que doam comida, dos que se disponibilizam a ajudar os idosos, os que não conseguem, os que têm dificuldades. Esses todos. Que tentam fazer o bem. Por quem não vê os filhos já há tempo suficiente, por quem não pode ir dormir a casa. Por quem não tem conseguido ter tempo quase para comer como para dormir. E não digo descansar, digo dormir mesmo, de conseguir fechar os olhos e conseguir não ficar com a mente a trabalhar.

Não está fácil.

A viagem para o trabalho já foi suficientemente esquisita, mesmo aqui #umbocadinhoabaixodoPoloNorte numa aldeia perdida, mas que sempre havia trânsito e hoje nem isso. Quase ninguém. Mas o chegar lá doeu cá dentro. Deve ter sido por isso que me sinto particularmente mais sensível hoje.

Não somos de beijos, mas somos de abraços, de bater no ombro, de passar a mão na cabeça. Lá no trabalho parecemos mesmo irmãos, e hoje quando os vi senti que quando o meu boss um dia me disse que eu sou a filha que nunca tiveram, aquilo tinha sentido. Em 13 anos só fico sem lá ir duas semanas nas ferias grandes e quando volto a subir as escadas a reacção efusiva juntamente com um abraço de saudades é inevitável. Hoje foi só o Mariiiiia e ficamos ali à distância a sentir a necessidade que uma pessoa tem nem que seja de pôr a mão no ombro a dizer "saudades pá"! E é ali que damos por garantido que não somos muito e somos na loucura bem menos que o que pensamos alguma vez ser. E que de repente há abanões que nos abalroam e nos dão a noção que se calhar apesar do cliché que é dizer que há tantos pormenores aos quais não ligamos, agora vem a vida e te põe ali de joelhos  mais perto do chão para percebemos que é muito fácil não teres os pés no chão por mais que sintas todos os dias que os tens.

Vida esta hein?

Aproveitei e fui às compras. Até porque a ultima vez que tinha ido, foi na loucura do papel higiénico, há cerca de duas semanas e meia que não ia. E só hoje vi todas as medidas que tiveram que implementar. Os seguranças à porta. A limitação de entrada de pessoas (se bem que tive a sorte de ir bem cedo e só estarem três/quatro pessoas dentro do hipermercado quando entrei, já quando saí...). Os avisos de não mexer nas coisas, de ver com os olhos. De não nos aproximarmos das pessoas. De esperar pela nossa vez lá atrás. De esperar que alguém saia para pores as compras no tapete... foi estranho. Nunca me senti invadida a fazer compras. Quase que sufocada a querer sair dali o mais depressa possível. Do ter medo de tocar no que quer que fosse e no ansiar que poderia já estar evoluído ao ponto de olharmos para uma coisa e ela ir parar ao carrinho por obra de quem quer que seja e não das nossas mãos. O andar com álcool atrás porque nunca encontrei gel (que não me custasse os olhos da cara). E assim que entrei no carro, senti-me tão impotente, medricas, parva, pequenina e foi ali que o eu mundo parece que desabou. Porque me lembrei desses estúpidos que saem à rua só porque sim, sem necessidade essencial para o fazerem e voltei a lembrar os vídeos que tenho visto que me cuticam o coração. O médico que foge do abraço do filho assim que o vê ao longe. Do José Alberto Carvalho que perdeu um ente querido e nos lembra, mais uma vez, como até isso nos tiraram, a despedida de um ente querido. Ou mesmo o vídeo de um hospital em Espanha onde os médicos estão já bastante cansados e a policia e bombeiros fizeram um ajuntamento em frente ao hospital a apitar e a bater-lhes palmas, numa de alento e apoio. Ou o vídeo do gnr que pára o carro em frente ao seu prédio e põe a música do "BAby shark" no qual dança cá fora, com a sua filha a ver pela janela e a rir-se no colo da mãe.

Isto esmaga-nos certo?

[Pelo menos a quem não acha de bom tom perante esta situação pegar no carro e ir passear ali para uma esplanada à beira mar. Ou furar a quarentena só porque vou ali à padaria ao lado de casa comprar uma raspadinha. Ou porque vou ali ao posto de abastecimento beber uma jeca já que os cafés, esses malucos, fecharam. Ou vou ali ao parque, que até por acaso está fechado com umas fitas, mas eu consigo dar a volta aquilo e até passo por cima e sigo caminho. Olhem e nesta parvoíce até vejam que não estou só e não sou o único - que gente é esta meu Deus?]

Caraças. E isto toca lá dentro de uma maneira incrivelmente avassaladora.

E hoje, talvez pelos dias de quarentena, sinto-me sensível.

E não é só porque pus ali a dar o concerto que passou ontem do Zambujo e do Miguel Araújo. É porque caraças isto é sério e está mesmo a acontecer. Ali, do outro lado da nossa porta. Não só da minha, mas da de todos. Isso mesmo, do outro lado da prta de cada um - por isso o fiquem em casa ok?!

Tão verdade como eu continuar a ir à varanda e a minha afilhada do outro lado, na varanda dela, me continue a pedir colo, que a vá buscar porque está presa. Tem dois anos. Caramba. Isto não devia estar a contecer. Mas está.

Índice de sanidade mental de quarentena: é isto! 😔🙌

Coragem Maria, coragem. Vai ficar tudo bem!

Sobre mim

foto do autor

Espreitem Como eu Blog

Expressões à moda das “tripas” do Porto!

Sigam-me

<>

<>

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Twita-me

<>

<>

Pesquisar

Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub