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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

31
Ago16

Do nosso sangue a quilómetros de distância.

Maria

Eu não gosto de despedidas. Não gosto de ter que abraçar e ter palavras a dizer a alguém para minimizar uma coisa que não está a ser fácil.

Acho que desde que me lembro e me dou por gente tenho família no estrangeiro. Bem cedo aprendi a brincar no verão com os primos como se não houvesse amanhã quando voltavam à terra por uns dias. Desde bem cedo aprendi a lidar com as conversas e os abraços dos tios que nos querem bem, mas só nos conseguem ver uma vez por ano. Do mano e do pequeno que me fazem perder todos os dias tanta vida do que vivem. Podia portanto ter já calo nestas situações. Desenganem-se. A cada partida, a cada reviver de uma despedida a dor cá dentro volta. A saudade mesmo já antes de ir. E então agora, que a veia de criança foi-se juntamente com a inocência, o lembrar mesmo antes de partirem do que se vai perder, da incógnita de se para o próximo ano estamos cá todos. Essas merd@s que em criança choramos baba e ranho mas no dia a seguir passa e que agora temos consciência que as coisas às vezes não correm como nós queremos. Até porque os dissabores e as perdas que as distâncias já me trouxeram só o comprovam. Perdemos tanto uns dos outros. E pela lógica isto não deveria ser assim.

Na segunda-feira, quando ela se aproximou de mim com ciscos nos olhos e os braços abertos a dizer "ainda há pouco eramos uns miudos a brincar no fundo da rua, agora já sabemos o que é ter responsabilidades, uma delas é que tenho que ir porque o trabalho está à espera". E ficamos ali uns minutos entre as lágrimas e o abraço apertadinho de quem fica e de quem vai com tanto para viver junto. Foi a minha prima que me levava para todo lado, que crescemos juntas, que me ensinou tanta coisa, que a distância separou e que agora já tem família lá. E o ciclo é este, os filhos, o criar raízes e o vir para cá é cada vez mais uma miragem de um "talvez um dia, talvez nunca" que nos sufoca o abraço. Agosto termina hoje. O mês das férias. Hoje vão embora mais uns quantos.

Resumindo, porra para esta merd@ das distâncias, dos quilómetros de saudade, dos ciscos nos olhos e do coração apertadinho.

29
Abr14

Ninguém mais que os que vão gostavam de ficar...

Maria

Ontem mais um amigo comunicou que já já no próximo fim-de-semana vai para fora. Suíça, mais concretamente. Isto está vazio de tudo e a cada dia mais. Nada muito pensado, mais uma decisão em cima do joelho de quem está um bocadinho (grande) farto disto aqui, deste país que tinha tanto para nos dar ao invés de nos tirar. Hoje de madrugada partiram mais três primos meus rumo a Inglaterra, onde trabalham, vieram cá aproveitar uns diazinhos de férias, todos na casa dos vinte e poucos. Ontem um amigo voou para Berlim com 27 anos a ver se a coisa corre melhor que o que corria cá, com pouco mais do ordenado mínimo ao fim do mês e um curso superior na estante de casa. O meu irmão que os meus pais não vêem há uns bons meses tenta vir cá, mas depois quando se vive fora e já não se é sozinho, já tem que se administrar tudo, férias ao mesmo tempo, escola do miúdo, despesas… um amigo voltou para os Açores depois de vir cá passar o fim-de-semana. A minha madrinha não pôde abrir a sua casa na Páscoa como tanto gosta, porque aos quarenta e tal anos teve que se mandar à vida, também está lá em Inglaterra. No interior é pior. Troquei palavras com outro amigo que conta os dias para voltar a casa só lá para Agosto, também ele na Suíça. Falei com a minha cabeleireira de quem tenho saudades que também ela, de um momento para o outro com o homem e três filhos rumou à Suíça, “este país não é para quem quer ter três filhos e uma boa infância” disse-me ela antes de partir, agora diz ela que está lá bem, bem melhor que aqui e aqui agora só para férias e para ver os seus. Outro amigo actualizou à pouco o seu facebook com um "de viagem Lisboa - Cabo Verde até já familia e amigos". Um colega veio da Bélgica porque o trabalho acabou mas não vê a hora de voltar, diz que a partir de que pôs os pés fora, viu que cá não fazia falta nenhuma, só aos seus, mas isso é como todos. E tantos tantos mais que o fazem (já nem vou falar da minha ultima relação). Todos os dias. Todos os dias o café fica sem mais um. Nota-se tanto aí que tudo está tão diferente que acaba por muitas vezes nem apetecer sair de casa para encontrar tudo vazio. A maior parte foi-se. E tudo vai ficando tão vazio. É tanta coisa que se perde. É vazios que se criam nas páginas do nosso livro e que nada vai fazer com que se possa mais tarde escrever. Mas a verdade é que da maneira que isto está, Portugal vai acabar a escrever sozinho o livro da sua história, porque não é o querer abandona-lo é o ter oportunidades melhores fora e muitas vezes não é para melhorar apenas a qualidade de vida, é para ter vida e poder dar-lhe qualidade. Ninguém mais que os que vão gostavam de ficar, mas o dia-a-dia tira-lhes isso. E isto dói-me porque não só fico escassa dos meus cá, como tenho a consciência que eu posso ser a próxima. E isso dói-me caramba. Porque não quero.

14
Out13

É ter o coração espalhado além fronteiras.

Maria

Tive conhecimento deste vídeo através de alguém lá do grupo. O meu grupo de pessoas que foram e são (e elas sabem quem são) um ombro dos melhores nestes dias de tempestade. Onde todos sabemos a mensagem que este vídeo transmite como a palma das nossas mãos. Onde as despedidas são facas que nos espetam de quando em vez e onde os reencontros são como rebuçados que se dão às crianças e que num ápice vão-se (e nem vou dar o meu exemplo que acabou por ter o fim menos desejado nas distâncias).



Para aqueles que me foram, que transportam o meu coração numa troca de deixarem um pouco do deles, que o nosso reencontro seja breve.

Mano e pequeno sempre no meu

02
Abr13

Até já...

Maria

Contigo vou aprendendo que a lágrima da despedida tem que ser trocada pelo sorriso dos bons momentos que passamos e que já já estaremos juntos. Tudo passa tão rápido quando estás bem. Tudo passa tão rápido quando o tempo já é pouco. Tudo passa tão rápido quando parece quereres matar saudades de uma vida. Na verdade tudo o que é bom passa rápido. Até já, meu Amor!

02
Dez12

Natal é quando o Homem quiser!

Maria

Eu já tive o meu Natal. O melhor presente que pudesse receber já tive. Para mim o Natal tem sentido com os meus, com as pessoas que mais amo na vida, com aqueles que fazem parte do que eu sou. O meu Natal este ano já passou. E hoje, que eles foram embora podia estar triste e tenho em mim uma pontinha de tristeza mas, estou feliz por ter tido esta grande surpresa de os ter comigo aqui e enquanto durou foi bom e foi óptimo que isto tenha acontecido. O meu Natal trouxe-me o amor antecipado. E isto aquece-me o coração. É isto que tem sentido. A minha família dá-me o que outros tiram, a confiança, o amor, a amizade verdadeira, o acreditar que existem pessoas que estão connosco porque sim, no matter what. E hoje é um dia que a felicidade tem um ponta de tristeza mas que me dá conforto saber que mesmo lá longe estão bem e estamos juntos.

23
Ago12

Não é fácil falar de quem não está, mas por vezes é necessário.

Maria

Temos sempre alguém que já cá não está. Aqui ao nosso lado. Eu não penso que essas pessoas tenham que ficar lá trás, pelo contrário há quem mereça dar-lhes continuidade. Infelizmente já há umas quantas que a ausência no meu dia-a-dia é deveras sentida. E eu gosto de falar delas, dá-me uma tranquilidade dizer o que sinto, a falta, a saudade, o sentimento, talvez muito daquilo que SEMPRE fica por dizer. Não gosto muito de falar delas a outros, há coisas que são nossas e ninguém as entenderá. Hoje quero falar, melhor dizendo desabafar, do J. daquele J. que sempre me lembro, sempre me rio e sempre dá um aperto uma lágrima por tudo. E vai dar. O J. era um apaixonado pela vida, tinha um sorriso presente e dizia tudo o que sentia, não tinha problemas, era demasiado espontâneo, impulsivo, amigo, amoroso. Um dia roubou-me um beijo eu dei-lhe uma chapada. Não, não fomos namorados, ele era um eterno apaixonado pela pessoa que eu era na altura. Fomos muito amigos e eu tinha nele um amigo para a vida inteira. Eu mexia com o coração dele mas o meu coração não partilhava o mesmo sentimento. Ele era de surpresas e mais surpresas. De palavras com actos. De mensagens lindíssimas (ainda tenho algumas dessas mensagens). Era mesmo boa pessoa. Bom rapaz. Tentei sempre que ele tivesse a noção que a sua paixoneta não era correspondida mas que em mim tinha uma amiga sempre. Um dia num tom sério chamou-me para falar e ali no meio do bar, rodeada por garrafas, com as luzes a piscar e o som alto nos meus ouvidos agarrando-me às mãos disse-me "estou doente, sabes as minhas constantes dores de cabeça, parece que agora deu alguma coisa, tenho um tumor benigno na cabeça, mas eu vou vencê-lo!" e foi ali que não mais ouvi uma música que passava só aquela notícia entoava na minha cabeça com o sorriso rasgado dele como se fosse uma simples enxaqueca nada mais. Pormenores à parte lembro-me de após a operação mandou-me uma mensagem a dizer que tinha corrido tudo bem e que estava bem. No dia seguinte recebo uma mensagem de uma amiga que apenas dizia: "O J. morreu!" é claro que não quis acreditar até porque há poucas horas ele próprio me tinha dito que tudo estava bem...

O J. Fez-me sorrir e faz ainda quando me lembro das maluquices dele. Não consegui ir à sua despedida e só passado alguns anos, no ano passado tive a coragem de pegar no carro e ir procurar a sua ultima morada... Eu não falo a ninguém do J. mas não é por me ter esquecido dele. Há coisas que custam aceitar. Muitas vezes leva-se uma vida...

Este texto fez-me abrir várias vezes o post e deixá-lo em rascunho muito tempo. Iniciei-o no dia em que fui ao cemitério pela primeira vez no ano passado e só agora o terminei porque hoje apeteceu-me falar do J.! Há dias...

19
Nov10

And He's gone...

Maria

Afinal houve! Tenho o meu estômago às voltas, as minhas mãos não param de tremer, o meu rosto parece que esqueceu o guarda-chuva, os olhos parece que vão saltar e sinto um frio com o corpo quente. Não consigo falar, as palavras não saem. O caminho para o trabalho pareceu-me a primeira vez. Tinha acabado de almoçar quando a campainha toca e a minha mãe foi atender. Era ele, chegou e deu-me aquele abraço. Aquele aperto que senti, não foi do abraço, foi de saber que ali começava uma distância. E parece que tudo desabou mesmo que, ao mesmo tempo tentei não transmitir. Ao chegar ao carro estava a mãe, que olhou para mim com aquele olhar de partilha de distância, ela percebe-me. No meio da conversa e do silêncio ela "estou à espera do ultimo beijo" e aí (fizemos todos um sorriso amargo) deu um nó tão grande que não mais falei. E ali no meio da rua, tudo parou, não vi ninguém, não ouvi ninguém, senti o abraço e o beijo. E num ápice, mesmo antes de deixar cair a primeira lágrima com ela a olhar para mim desapareci no meu carro vendo-o desaparecer a ele. Como dói.

30
Ago10

E depois há momentos assim

Maria

a minha cara encostada ao teu peito, ouvindo o bater do teu coração a contrastar com o silêncio das nossas palavras e com o leve suspiro da brisa que se fazia sentir. E os teus braços envolvendo o meu corpo é como se nada fizesse sentido se assim não for. Não se explica, sente-se...

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