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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

10
Jan20

Desafio de escrita dos pássaros #17

Maria

» Luz e sombra « [o último tema do desafio]

desafio passaros.JPG

 

A vida é uma constante aprendizagem. Cheia de fases boas e menos boas. Mas sempre de aprendizagem. É preciso saber tirar o proveito de cada dia. Saber agarrar as oportunidades. Ter a capacidade de decidir por nós e aprender com os erros. Mais que isso, ter foco mesmo depois de levar com as consequências desses erros. É fácil julgar os outros e mais que isso, é fácil acreditar no que os nossos olhos vêem dos outros. Mas cada um tem a sua história e nós nunca sabemos a verdade do que vai dentro da história de cada um.

Deixar-nos levar pelas aparências é a maneira mais fácil de nos iludir. Para o bem ou para o mal.

Devemos ser pessoas melhores todos os dias. Agradecer mais do que pedir. Dar valor ao que realmente é de valor. Respeitar o próximo e acima de tudo, respeitar a nós próprios. Ser positivos e tentar alcançar boas energias. Passar essas mesmas boas energias para que à nossa volta seja sempre um ambiente tranquilo.

De que adianta quando estamos tristes, passar só essa tristeza? O Mundo até pode chorar contigo, mas só vai gerar mais tristeza. Devemos sim canalizar o nosso melhor sorriso para que nos ajudem a sorrir ainda mais. Há dias de Luz. Há dias de sombra. A Luz e Sombra andam sempre de mãos dadas. Não há que ter medo da sombra, porque onde há sombra, em algum lugar próximo brilha a luz. Se hoje não sentes, amanhã sentirás. Se hoje sentes que estás mais na sombra, no escuro, numa fase má, é ter fé e acreditar num amanhã melhor. Num amanhã do outro lado da sombra, naquela luz ao fundo do túnel que nem sempre conseguimos ver quando estamos na sombra mas que, com persistência percebemos que ela está lá. 

A vida é essa aprendizagem.

[Adorei fazer parte deste desafio. Adorei o desafio e superou as minhas expectativas que desde o início paniquei a pensar que não ia conseguir. Obrigada por me fazerem acreditar, por todas as palavras de incentivo que fui recebendo e por todas as visitas]

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

03
Jan20

Desafio de escrita dos pássaros #16

Maria

» Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer. «

desafio passaros.JPG

 

Continua a ser inevitável questionar-me - é pá já passei dos trinta há uns anos e há pelo menos duas décadas ao olhar para alguém da minha idade, além de colar logo o rótulo de trintona acrescentava o "já foste".  Porque temos ideias meias concebidas talvez da educação que se teve, das fases que se foi vivendo e da questão social que nos faz ter quase prazos para tudo e mais alguma coisa. Sendo-se rigorosos com o termo "idade". E então lá prós trintas e tal a ideia de gente é  estar mulher casadoira, com filhos, casa própria, família organizada, trabalho que te dê boa estabilidade, caminhos perfeitamente estabelecidos e tretas e mais tretas. Isto porque, quando cá chegas e a vida deu lá uma reviravolta e tu nem sabes se agora está no lado certo, mas tens a noção que estás fora dos "parâmetros" e nem por isso te sentes mal (?!) Com isso, mas socialmente já foste mesmo. É  inevitável não pensares se tivesse sido diferente, se tivesses tomado outras opções se tivesses seguido outros caminhos... É inevitável...

Daqui a uns dias será o meu aniversário e sobre esta vida adulta [muitas vezes penso] ainda não entendi o que é para fazer!

Não sei se siga caminhos pré-concebidos e me sinta uma falhada por as coisas terem saído diferentes da perspectiva, se siga o que é e o que tem de ser e sou feliz à minha maneira.

Isto de ser adulta não é fácil e dizê-lo está longe de ser um clichê.

Falhei muito. Tomei más decisões.  Errei e pasmem-se vou continuar a fazê-lo, porque na verdade se soubesse de antemão o que está certo, saberia lá eu o que é viver. No entanto entendi que o correcto é seguir o que Eu acho que devo seguir, mesmo que isso me leve a tropeçar várias vezes e a ficar com a marca dos joelhos esfolados. Mas quem garante que se tivesse feito diferente,  seria melhor?

Não tenho o mesmo corpo, ganho mais rugas a cada dia, flacidez, marcas, celulite e quilos! Mas a essência do coração está lá e uma coisa eu sei, se o seguir, estou no bom caminho. Tenho mesmo que entender o quê?!

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

20
Dez19

Desafio de escrita dos pássaros #15

Maria

» O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana. Descreve uma dessas entrevistas na perspectiva do recrutador de recursos humanos: A Rena Rudolfo. «

desafio passaros.JPG

 

Rudolfo era uma rena, com um nariz encarnado

e vivia nesta altura, um dilema atribulado.

O Pai Natal está velhote, diz que se vai reformar.

E todas as outras renas, não sabem pra onde se virar.

Mas numa dessas noites o Pai Natal veio esclarecer

Rudolfo, confio em ti, vais ter que ser tu a escolher.

E assim foi logo naquela noite o Rudolfo a comandar

uma série de entrevistas, para um novo Pai Natal arranjar.

A tarefa não era fácil, mas Rudolfo ia se empenhar

queria arranjar alguém capaz e que todos fossem gostar.

À entrevista chegaram muitos barbas, mas nem todos tinham jeito pras crianças,

Uns diziam que não desciam chaminés, outros que estavam mal das panças.

O Rudolfo apreendido, pensava que não ia encontrar,

alguém à altura, do Pai Natal que se vai reformar.

Até que numa noite, depois de muito trabalho,

Surge alguém que disse, tu de mim vais gostar.

Estou pelo desemprego, mas não parei de trabalhar,

tentei sempre algo fazer e muita gente ajudar

deixei crescer mais a barba até que o meu neto disse 

Avô, pareces o Pai Natal e as crianças vão te adorar.

Foi então que decidi, anúncios de Pai Natal encontrar, 

Mesmo depois da carta de trenó ter que ir tirar.

Rudolfo muito encantado, ficou logo a sorrir,

e o seu nariz encarnado feliz por ele se decidir.

[adaptado à música A Rena de Nariz encarnado, Rudolfo]

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

17
Dez19

Desafio de escrita dos pássaros #14

Maria

» Não nasci para isto «

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Manuela está outra vez a ter um surto psicótico. E é mesmo como o Doutor diz. Contado ninguém acredita, só mesmo quem passa por elas sabe o quanto isto é difícil de lidar.

A carta para entregar nas urgências de psiquiatria era explícita "está com uma crise de surtos psicóticos e tem que ser analisada pela especialidade".

Foram horas de espera numa ala com tantos outros doentes do mesmo e em que quem lá está se depara com uma realidade que, provavelmente se nunca passarem por ela, imaginam que possa existir. 

"Não pode ficar internada, vai ter que ir para casa e analisarem os próximos passos" - foi só o que o médico disse.

Manuela estava agora sossegada devido à medicação administrada. Sossegada demais até para os dias agitados que passou.

E agora, vai para casa de quem? Já não pode ficar mais sozinha. Tem que estar em permanente vigilância. Vai para onde? Questiona Joana que é quem tem menos condições para ficar com ela, mas é quem tem ficado nestes dias.

Aurora diz logo que não pode. Assim como Fernando também não quer.

Temos que nos ajudar uns aos outros - diz Joana - e neste momento ela precisa de todos.

Mas eu não posso, refere novamente Aurora.

No dia seguinte Joana volta a encontrar-se com todos para resolverem a situação.

Aurora é a primeira a manter a posição - Eu não posso!

Eu não nasci para isto - diz Joana... As pessoas estão lá quando não precisas, quando estás bem, quando um Olá e Adeus chega. Mas quando é preciso mais que isso, quando é preciso que se ajude. Quando já não têm idade e capacidade para estar só, quem está lá? Os velhos não vão de férias. Os velhos não são descartáveis. A família não é família só quando estão bem! Eu não nasci mesmo para isto. Eu não sou isto. Eu não sou como vocês. Isto não está certo.

Mas eu não posso - repete Aurora.

Podemos sempre metê-la num lar - atira Fernando!

Joana, cabisbaixa, não se identifica com aquilo e diz: é de lamentar que se ela morresse agora todos lhe vinham chorar a morte, mas neste momento ninguém lhe quer ajudar a melhorar a vida.

Eu não posso, volta a referir Aurora.

Manuela assiste à discussão sem uma única palavra. Sem deixar perceber se está a entender o que se passa se não. Terá Manuela nascido para isto?!

 

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

06
Dez19

Desafio de escrita dos pássaros #13

Maria

» Reescreve o final dum filme «

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Quando Ana revela em tribunal que só estava a fazer aquilo porque Kate lhe tinha pedido para a deixar ir porque estava pronta para morrer, toda a gente ficou em choque. Mas Ana queria fazer isso mesmo.

Assim que chegou a casa e foi ter com Kate que estava descansando, disse-lhe que estava tudo a correr como planeado. Kate estava enjoada com um novo medicamento mas na verdade estava a sentir-se melhor.

No dia seguinte, quando Kate realizou uns últimos exames no hospital o médico viu resultados incríveis que estavam a ser fruto do novo tratamento ainda experimental.

Assim que ficaram sozinhas no quarta, Ana perguntou a Kate se queria mesmo que ela desistisse ou se ainda acreditava que podia não ser a hora certa e ela não estar preparada para partir.

 Kate confessou que as palavras do doutor a deixaram sensível e esperançosa.

Kate conseguiu chegar ao dia da operação e a mesma correu bem.

Enquanto esperavam Kate acordar, Ana falava com o advogado, Campbell e este perguntava-lhe se Ana queria mesmo continuar com o processo contra os pais, ao que Ana respondeu que sim.

- Quero muito fazer com que a Kate possa ser feliz e viver mais, mas quero muito também ser eu a decidir o que fazer com o meu corpo - respondeu Ana.

Assim que Kate acordou, a família estava toda reunida na sala e Sara a Mãe pediu-lhe desculpa por nunca ter visto os sinais de que ela queria partir porque estava pronta, mas sempre acreditou num milagre e porque não está preparada para ver uma filha partir! Pediu também desculpa a Ana, por a ter usado para salvar a irmã, mas que sabia que um dia Ana ia dar ainda mais valor a isso.

Passaram-se uns dias desde a operação de Kate.

Já em casa com alta e a recuperar, Kate agradecia a Ana por a ter salvo e por, mesmo quando deixou de acreditar Ana estar sempre do lado dela.

A campainha tocou e era o advogado de Ana.

Ana tenho uma notícia para lhe dar, ganhamos essa batalha, agora és uma menina emancipada e és tu quem decide o que fazer com o teu corpo.

Senhor Campbell, a batalha já estava ganha com a esperança que a minha irmã ganhou com este novo tratamento que está em fase de teste mas que eu acredito que a vai salvar.

Novo final do filme "My Sister's Keeper".

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

29
Nov19

Desafio de escrita dos pássaros #12

Maria

» Aqueles pássaros não se calam «

desafio passaros.JPG

 

A Maria chega a casa do trabalho e lá está ele a falar com os pássaros, passa a vida à volta deles e na verdade, foram eles a companhia de tantos anos e são eles os animais de estimação que gosta. Todos têm o mesmo nome. Canito. Pelo menos é sempre esse o nome que ouve.

A afilhada já chega lá casa e a primeira coisa que diz é "quero ver piu piu". E lá vai ela com ele, para ver o Pai da Maria a dar-lhes comida.

Não se lembram de ali viver sem um pássaro que seja. São uma alegria e fazem um basqueiro que nem é bom. Já lhes conhecem o Pio... que é diferente em muitas situações. Quando está alguém que não conhecem é um, quando estão só os da casa é outro. Quando estão a discutir é outro. E quando vê os de casa pela primeira vez de manhã é outro. São mesmo inteligentes. Mas os dias de sol são verdadeiros dias bons para eles.

E muitas vezes são mesmos os madrugadores lá de casa. Qual galo qual quê. Quando o dia começa a raiar e eles começam a cantar?

É sábado e a Maria estava a aproveitar para dormir mais um pouco, até que começa uma cantadeira ensurdecedora.

Mas o que é isto - diz a Maria -  "aqueles pássaros não se calam?".

E lá vai o pai falar com eles. Deixai a Maria dormir - diz ele. Mas não ligam nenhuma

Maria na cama às voltas, mas não há maneira de conseguir adormecer novamente com aquele chilrear. Maria levanta-se até que chega perto deles e eles nem um pio.

Ai os safados, foi mesmo para me tirar da cama. Estes canitos são tramados!

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

22
Nov19

Desafio de escrita dos pássaros #11

Maria

» Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação «

REX.jpg

 

Tenho cerca de catorze anos e estou aqui desde os primeiros meses. Cheguei amedrontado mas eles conseguiram fazer com que me senti-se em casa, tivesse amor e fosse bem tratado. Brincam muito comigo e ensinaram-me a ser um deles. Quando posso fujo e gosto muito de andar a jogar à "caçadinha" no meio da rua, eles ficam fulos e eu corro muito, mas depois mansinho lá me vou sentar no início da escadaria. Eles resmungam mas passa-lhes rápido.

O pai da Maria senta-se muitas vezes aqui à minha beira a falar comigo e sinto que fala comigo como fala com os outros. Com as pessoas.  A mãe resmunga mais mas não me pode ver a fugir que fica aflita. E agora que estou mais velhote e adoentado anda sempre aqui a rondar como se a perguntar se estou bem. Eu aviso-a sempre que chega alguém para que ela saiba com o que contar. Chegaram a comprar-me brinquedos mas nunca fui muito de brincar com coisas, gosto mais de estar aqui à beira deles sentado a ouvir. Em mais novo fiz os meus estragos, mas agora "tudo tranquilo".

A Maria é minha amiga. Fala muito comigo, sentados os dois na varanda a ver a paisagem. Ao fim-de-semana vem tomar o café da manhã para as escadas cá fora para falar mais. Não gosto que ninguém estacione o carro no lugar do dela e faço um cagaçal quando assim acontece. Sempre que sai para trabalhar dá os bons dias e assim que chega cumprimenta. Só resmunga mais comigo quando está chuva ou frio e eu não vou para a casota que o Pai até alcatifou para ficar mais quentinha. Todos temos a sua panca, certo?

Estou velhote e sei que não durarei muito mais. Hoje a Maria desceu as escadas com uma mala e eu, que tenho andado cansado, levantei-me e fiz-lhe a festa do costume. Meio aflito porque queria ir com ela, mas ela antes de sair do portão com a mala disse-me que ia à Madeira passar uns dias e sossegou-me. Eu olhei para ela com olhos de saudade porque não sei se a tornarei a ver, e ela fez-me muitas festas na cara e disse para me portar bem e aguentar firme como sempre. Fiquei sentado nas escadas e ela foi. Até um dia!

[O Rex partiu a 2/05/2017 dois dias depois de eu chegar à Madeira]

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

15
Nov19

Desafio de escrita dos pássaros #10

Maria

» Já chegamos? Já chegamos? «

desafio passaros.JPG

 

O relógio marcava meio dia e recebi uma mensagem:

"não combines nada com ninguém, logo não estamos".

Estava tão ocupada que li aquela mensagem sorri mas nem respondi. Por volta das cinco da tarde recebo outra mensagem: "já pensaste no vestido para logo? Capricha. Será uma noite para não esquecer. Levo chocolates".

Fiquei empolgada "vamos só os dois?" respondi, mas não obtive resposta.

Estava a jantar quando o telefone toca, era ele. Disse só que às nove passava para me apanhar.

Os meus pais saíram e eu fiquei à espera que ele chegasse. Faltavam uns cinco minutos para as nove estava eu acabar de me arranjar e recebo a mensagem "já estou em baixo à espera amor".

Eu desci as escadas, enquanto ele saiu do carro dirigiu-se à outra porta e abriu-a enquanto me esticou a mão e me surpreendeu com um beijo. Apaixonado.

Onde vamos? - perguntei. "Vamos acabar o ano da melhor maneira" - respondeu-me só.

Era o ultimo dia do ano. Noite de passagem de ano e eu tinha acabado de me esquivar a todos os convites de amigos que recebi.

Chegamos ao hotel que ele reservou onde nos esperava um baile e uma festa espectacular. As pessoas estavam vestidas a rigor e tudo parecia de sonho. Dançamos muito. E pouco faltava para a meia noite quando ele me estendeu a mão e puxou-me "vamos rápido que as badaladas estão já aí", subimos até um quarto, onde nos esperavam os bombons de chocolate e o champanhe. Enquanto se ouviam as doze badaladas, ele de joelhos a pegar-me na mão perguntou "queres casar comigo?"

Acho que bebi o champanhe que tinha na mão sem conseguir perceber muito bem o que se estava ali a passar! E pufff... aterrei no chão.

Enquanto ele me tentava acordar... "já chegamos, já chegamos?" - digo eu abrindo os olhos sobressaltada e apercebo-me que aquilo não tinha sido um sonho.

Já chegamos há muito - diz ele enquanto me aconchegava junto a ele.

- estava a sonhar que me pediste...

E pedi - interrompendo-me enquanto me acarinhava o rosto e a sorrir continua - "Isto não foi um sonho, coração. Eu pedi, mas tu desmaiaste antes mesmo de me responderes."

- Eu quero muito. Mas belisca-me a sério. Só para eu não pensar que estou a sonhar outra vez!

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

08
Nov19

Desafio de escrita dos pássaros #9

Maria

» Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta «

desafio passaros.JPG

 

Eu bem disse que não devia experimentar coisas que fazem rir - pensei, tentando fechar os olhos só naquela de estar a viajar na minha loucura, mas abrindo novamente os olhos ali estava eu, perdida no meio do nada, deitada naquela areia branca fina mesmo em frente aquele mar a perder de vista. Olhei para um lado, olhei para o outro e nada. Ninguém. Nem um bichinho que seja. Tornei a deitar-me sobre a areia e fechei novamente os olhos e comecei as minhas preces:

- Oh Deus isto é só um sonho menos bom e eu prometo que se o fiz não voltarei a fazê-lo. Bem me avisaram para eu não me meter nestas cenas e eu certezinha depois de uns copos fumei um charro - Abro um olho e nada. Nada mudou.

Isto dava um grande filme: Marias há muitas, menos numa ilha deserta! - pensei.

Como é que eu aqui vim parar? Aquela pergunta que atormentava o pensamento até eu olhar mais para mim do que para a minha volta e sentir um fresquinho no pipi assim que reparei que estava sem um qualquer trapo que seja a tapar-me o corpo. Nada. Nua mesmo. E longe de ser como vim ao mundo!

Pensa melhor Maria, isto foi só um desejo que já pediste em dias menos bons de que alguém te levasse para uma ilha deserta só para não aturares tantos tótós. Mas... o génio da lâmpada nem existe!

Levantei-me e comecei a andar em direcção à natureza, procurava respostas.

- Está ai alguém? - gritei eu para o meio do nada. Nem um pio que seja. Nem uma cobrazinha para me afugentar de volta. Nada. Sigo caminho. Até que quase a chegar a umas quedas de água me apercebi que ali estava um ele, alguém cuja vida também tirou tudo o que seja trapo e eu prestes a acordá-lo em busca de respostas ouvi um barulho vindo do lado onde tinha acordado e corri, corri muito para ver o que me parecia ser um barco em alto mar. Chegada à beira mar gritei, saltei o mais alto que pude, fiz gestos impróprios para quem está liberto de roupas e nem sinal do barco dar conta até que no desespero lanço-me à água, nado, nado e vejo uma barbatana. É um tubarão e nem tempo tenho até que só me lembro dele abrir a boca e...

Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

01
Nov19

Desafio de escrita dos pássaros #8

Maria

» Escreve uma carta para a criança que foste «

desafio passaros.JPG

 

Maria,

Permite que te chame assim.

Esse teu gosto pela comida só vai apurar com o passar dos anos. E esse constrangimento de toda a criança gostar de leite e tu não o suportares também te vai passar. Vão querer derrubar-te por seres muito amiga de outros assim como quando te empurraram abaixo do muro da escola por ciumes, mas tu vais levantar-te a cada tombo e vais seguir com a tua vidinha só porque não papas grupos e tens uma vontade própria afinada.

Continua com essa força e vontade de querer levar a tua adiante. Continua a chorar no lugar certo e a perceber que as tuas dores ninguém tas vai tirar por tu as levares em estandarte. Mas acredita que às vezes podes desabafar com os outros para as diminuir. Percebes o que te digo? Acredita sempre nos teus e eles vão lá estar sempre que precisares. Sempre.

Quando te dizem que pareces uma tolinha por estar sempre a rir, ri. Ri muito. Sorri ainda mais. E partilha essas tuas gargalhadas. 

Joga muito futebol. Aproveita esse teu gosto e não te importes que as meninas gostem mais de brincar com bonecas.

Ama a tua família e aproveita todos os momentos juntos. Nem sempre será assim. E no final é daí que te vão sair os valores. Aqueles maiores. Sentidos. E necessários para enfrentares o mundo.

Confia em ti. E gosta muito de ti. Mesmo quando te chamam Olívia Palito, Pau de virar tripas, Coelha, Maria Rapaz... Aprende a gostar de ti.

Cuida das tuas amizades, algumas ficarão para a vida.

Tenta aprender a lidar com esse nervozinho que te caracteriza. Vais ter uma vida para viver com ele.

Diverte-te. E aproveita muito. Ouve a avó quando te aperta a mão e diz "tem juízo rapariga e sê feliz".

Vê mesmo se tens mais juízo nas tuas aventuras,  só para não ficares pendurada nos portões ou presa nas silvas, ou para não andares sempre aos tombos e ficares toda esmurrada nos joelhos! Quando fores maior vais gostar de andar de saia e os teus joelhos vão ter marcas dessas traquinices.

Um dia vais gostar que te chamem pelo primeiro nome. Por razões óbvias ou porque vais deixar de escrever em diários e escrever noutro lado qualquer que não te roube as asas e te impeça de voar.  Nas palavras.

 Vejam outros textos meus para este desafio aqui.

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