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SorrisoIncógnito

Todo o sorriso é apaixonante devido ao incógnito que o ofusca! SORRIR_um estado de espírito...

09
Jul19

Não é algo fácil de se dizer. E entender.

Maria

Não apetece

Às vezes não apetece.

Se calhar anteriormente já disse, que o "não apetece" é desculpa mal amanhada. Mas não é.

Às vezes é só mesmo isso. Não há outra explicação. Ou há tantas que se resumem a essa mesma. Às vezes não há vontade. Não há pachorra. Não estás para aí virada. Às vezes não fazes, não queres ninguém, não queres falar, não queres ouvir. Às vezes não apetece mesmo.

Às vezes tudo parece que te aborrece e tão só por isso não apetece.

Não é sempre. Mas tem dias que não é mais nada além disso. E por isso é tudo

03
Abr19

O manter o foco...

Maria

Março foi esquisito. Tirou-me a vontade de escrever. Mais que isso. De partilhar. Tirou-me muita vontade. Como ao mesmo tempo sinto uma vontade de desabafar tudo e mais alguma coisa. Mas não consigo.

Quando criei o blog o intuito era esse mesmo partilhar para além dos diários que já fazia e das folhas de word que enchia com desabafos e pontos a lembrar. Foi também para aprender a partilhar. Como se a contar a terceiros. A saber falar com outros. Sempre fui reservada. Difícil de desabafar. Difícil de desabar. Mas humana, e por isso mesmo faço tudo numa introspectiva muito minha. 

Houve alturas que o blog ajudou-me imenso. Grupos que se criaram. Pessoas que foram muito ombro. Alturas em que consegui desabafar. Falar e partilhar aquelas dores, os medos, a ansiedade e as opções tomadas. Houve alturas que foi aqui que tudo se resolveu. Comigo mesma, mas fora de mim.

Estou novamente naquela fase que preciso tornar a aprender. A partilhar. A desabafar. Porque isto nem sempre é sorrisos. Mas continuo no lema que os meus sorrisos é que têm que ser partilhados porque as mágoas ninguém tem nada a ver com isso.

Ora, Março foi esquisito. Teve abanões. E trouxe medos. Positividade sempre ali a piscar o olho, mas medos. Que me tiraram vontades. Mas traz esperança. E figas certo?! Boas energias.

Tenho andado a mil. Cansada que não me lembro. Problemas atrás de problemas e preocupações. Muito trabalho, que cansa mas ajuda muito a manter a cabeça ocupada. O que importa é o foco.

E o foco em que tudo vai correr bem ninguém mo tira. É isso.

Abril estamos juntos!

14
Mar19

Os solteiros têm que estar mais disponíveis?

Maria

20190314_094321.jpg

 

Cada vez acho que sou mais pão pão queijo queijo. Dou com a mesma moeda. Interesso só por quem se interessa. Fecho-me e quero que o mundo de quem não se interessa exploda se não se preocupam se o meu está com fumo.

Sempre achei que fui muito Amiga. Muito prestável. Muito estar lá sempre. Muito poço para afogar mágoas. Sempre fui muito ombro. 

Não deixei de ser. Mas deixei de dizer que estou cá (até precisarem mesmo e eu sei que vou lá estar no que puder mas pronto).

Pelo menos para quem se afastou e vem só de vês em quando.

Perdi a paciência. O interesse. O querer que isso me acrescente quando à partida tem um destino traçado infeliz.

Deixei de querer estar lá sempre. Deixei de ter que ser eu a dizer alguma coisa. Deixei de ter que ligar para saber se está tudo bem e se lembrarem que eu existo. Deixo cada vez mais esta preocupação nos outros.

Deixar de estar disponível só para as festas. Só para as jantaradas.

Deixar de querer estar lá só quando tudo é bonito e coisa e tal, mesmo que isso me tenha valido afastar de algumas pessoas e ficar com poucos "perto".

Tudo começou quando ouvi "tu estás solteira, é mais fácil, aparece".

Isso nunca é um convite, é um passar de testemunho para que sejas tu a fazer-te à vidinha. Para que sejas tu a aparecer para todo o sempre. Para que tu te tenhas que deslocar aqui e ali para ver para falar.

Do género, Tu que estás solteira, combina as coisas e aparece. Eu morri para a vida,  só que não. WTF?!

Porque de tudo o resto continua-se a fazer. Mas a solteira é que tem que aparecer. Poupem-me. Se eu só por ser solteira tenho tempo para ir a casa das outras pessoas, a minha casa também pode ser visitada. Ou um qualquer café ou um qualquer restaurante. O meu número também é contactável, não tem a opção só de ligar ou só de enviar mensagens.

Não é por eu ser solteira que estou mais disponível. A disponibilidade não tem nada a ver com o se usas aliança no dedo ou não. Mas tem a ver com a tua predisposição para algo.

"ah nunca mais apareceste lá em casa!!" yap e as pessoas não saem? ah nunca mais me ligaste e eu olha, pasma-te solteira mas com o mesmo número. Perdi um pouco a paciência para desculpas mal amanhadas.

Cansei de ter que ser eu a perguntar se está tudo bem. Como as coisas rolam. Se o casamento vai bem. Se o trabalho dá para sobreviver. Mimimi e o diabo a quatro.

Por ser solteira, basta eu aparecer? Não precisam de se interessar por mais nada?

Cansei. Oh pá deslarguem-me.

Retribuo na mesma moeda. Nós solteiros não temos que estar mais disponíveis. Há dias que estamos demasiado ocupados assim como os que não são solteiros dias têm que estão mais disponíveis. 

As pessoas têm que parar de olhar tanto para o seu umbigo e não fazer dos outros disponíveis.

Ah tu tens tempo!

Todos temos. Quando estamos disponíveis. Uns para os outros. Todos temos tempo.

PS.: Vi a imagem no perfil do Homem sem Blogue ontem quando estava a escrever o texto e ao partilha-la pensei "olha, na mouche!".

14
Nov18

Sem filtros

Maria

Sem filtros

 

Chega uma hora que pouco importa. Pouco importa se tens isto ou aquilo.

Pouco importa se não ligares ao que tens mesmo ao lado quando tudo falta. Que és tu e pouco mais

Um facebook com tantos "amigos" que já não te conseguem enviar convites de amizade, um instagram com "k" de seguidores, Esses que marcam presença no mesmo sítio e nem se conhecem. Mas "são" amigos nas redes sociais.

Quando na realidade, contas pelos dedos de uma mão, aqueles que vão lá estar quando precisares. Ou mesmo quando não precisares.

Na verdade estamos numa era em que construimos imagens para os outros e esquecemo-nos de a construir à nossa imagem (muitas vezes!).

Nem sempre está sol. Nem sempre sorrimos. Nem sempre todos os pensamentos são positivos. Nem sempre a nossa juba é bonita e ao acordar, valha-nos deus, na maior parte das vezes não queremos que ninguém nos veja.

Mas há sempre uma foto anterior que está top e é essa que nós vamos partilhar.

Nem sempre estamos boa onda e nem sempre nos rodeamos de pessoas boa onda. Nem sempre à nossa volta há filtros para nos proteger das coisas menos boas e podermos absorver só o melhor. Às vezes não há planos. Para que as coisas sigam um caminho melhor, quando na maior parte das vezes só arriscamos sem antever qual será mesmo o melhor caminho. Nem sempre lidamos bem com os erros. Não encontramos todas as respostas. Não conseguimos ultrapassar todas as linhas travessas que nos abalroam. Mas não somos os únicos. Acontece a todos.

Esquecemo-nos tantas vezes de nós. Não é por partilhar muito ou pouco, mas por partilhar a pensar se vão gostar ou não do que se partilha. Esquecemo-nos de partilhar o que realmente gostamos. Ninguém partilha um franguinho de churrasco quando um prato de sushi está nas visualizações mais chamativas. Mesmo que «ah gostas de sushi? Mais ou menos...» "tá beeem!".

E nós gajas, em "TPM alerta" pouco publicamos e em modo muito, muito selectivo, porque se fossemos a publicar sentindo a verdadeira essência da coisa, 1/3 "desamigava-nos", porque nós sabemos que somos um pouco insuportáveis nesse estado de alerta. Hormonas.

Na verdade devemos olhar mesmo mais para o nosso umbigo. E não é pensar que o mundo gira à volta dele, mas que a nossa vida gira e só isso importa. No final, é mesmo o que importa - o nós - eu, o meu corpo e a minha mente. Aquela sintonia. O estar bem connosco mesmo. Com as nossas vibrações, a nossa energia. Os nossos sorrisos e as nossas cicatrizes. Aceitar-nos. Muito mais que tentar que nos aceitem. Termos a iniciativa de não ir pelo que os outros dizem, pelas modas só porque sim, pelos grupos, pelas tendências. Não apostarmos em ser aquilo que não somos. Querer o nosso bem. Vingar a nossa vontade. Lutar por ser feliz. Seguir a diferença se assim foi o que S-E-N-T-I-M-O-S.

Ahh e os outros não importam? Claro que sim. Depois de mim tudo importa, e esse tudo corresponde a tudo o resto que me acrescenta. A família, os amigos, os bons amigos, as minhas pessoas, as que me vão chegando. Tudo o que acrescenta. Inteiros. Mas esses que estão lá quando realmente o resto falha conhecem-nos. Há mesmo aqueles que nos conhecem tão bem quanto nós e há ainda aqueles que parece que nos conhecem melhor que nós mesmos. Esses gostam do nosso humor assim como das nossas birras, gostam dos nossos sorrisos porque já nos viram as lágrimas, gostam da nossa companhia porque quando não estamos, sentem-nos a falta.

Esses que nos conhecem até de pijama com o cabelo despenteado, o verniz descascado e a cara por lavar. Com as meias polares por cima das calças. Com o cheiro a fumo depois de estarmos à lareira. Com cara de zombie quando estamos adoentados. Sem filtros. Mas com aquele sorriso nosso. Que sempre é bom para partilhar.

Sem filtros. Viver sem filtros é bom. É só experimentar.

20
Set18

Sa'foda.

Maria

Partimos do princípio, de uma educação ou não, mas de valores, de coisas nossas, que as coisas têm que ser minimamente certinhas do "nosso jeito". Erguemos muros, supomos caminhos traçados. Vincamos personalidades. Fazemos de um todo para que a vida ande por ali, pelo tal dito caminho traçado que nos parece, a olho nosso, melhor.

Que sabemos nós de, antes de viver o que quer que seja, o que chega a ser melhor para nós?

Ergui demasiadas barreiras, fiquei fria e direta. Não querendo dar braço a torcer nem optando por algo que é desconhecido e que saia dos parâmetros quase sempre supostos de se manter, naquela linha ténue que é o - suposto - melhor caminho.

Há um dia em que sofremos aquele abanão. Em que o pé falseia e quando damos conta estamos estateladas no chão. Da maneira que sou, a rir. Sim, é mesmo a minha cara. Estatelada no chão e a rir de mim mesma. A rir de me estar a rir de mim mesma, logo a não conseguir parar de rir. Sempre tive essa capacidade. Graç'á Deus. E ali, meio perdida, com a ficha a entrar em conflito pergunto-me, porque já não te permites a sair da linha? A correr riscos? A ver que, o que parece ser do avesso pode ser o teu lado certo?

Entendem o que eu digo? Já sentiram isso na pele?

 

Permitam-me a expressão e sabem que mais, Sa'foda!

06
Set18

Do verbo Amar [me]

Maria

gente que não se aguenta

 

As pessoas confundem muito vaidade com o gostar de nós próprios.

E nós mulheres somos as primeiras na fila a criticar[-nos]. A pôr o rótulo.

Talvez porque procurem muito a felicidade de gostar de alguém em vez de, primeiramente gostar delas próprias.

Acho que a vida me fez entender, pelos meus erros, pelas minhas experiências, pelas dificuldades dos meus, pelas adversidades e pelas pessoas que se cruzaram na minha vida que, raramente vamos ter na vida quem goste tanto de nós como nós mesmos podemos gostar. Ninguém - ou quase - fará por nós aquilo que podemos fazer. E se o nosso sorriso - que é do que me alimenta a alma - pode depender de nós mesmos, ninguém o poderá fazer mais feliz que isso.

Houve alturas em que esperei que a minha felicidade viesse de fora. De dizer que estava feliz porque me faziam feliz. E esqueci-me imensas vezes de me fazer feliz. De me dar mimos. De passar à prática a ideia de que não é por estar sozinha que não sou feliz. De gostar de mim. De me orgulhar daquilo que sou. Quem nunca?!

Depois levas ali um safanão. Que é quando normalmente alguém maltrata esse o teu sorriso e tu percebes que alguma coisa estava mal. E esse safanão valeu para eu olhar mais para mim mesma e dizer - oh pá tu és espectacular (obrigada amigos que me fizeram ver isso em momentos menos bons). E isso não é ser convencida, altruísta, egoísta, vaidosa. É uma mistura de, e não um só rótulo que é também um hábito comum de quem não tem mais nada que fazer e pratica a lei da frustração.

Há gente que não se aguenta e tão só por isso, não aguenta, quem se aguenta.

Uma pena.

É praticar mais vezes o verbo Amar[me]. Não há maior felicidade na vida que a felicidade que vem de dentro de nós mesmos.

25
Ago18

O silêncio.

Maria

Apetecia-me escrever e falar tanto. Mas opto pelo que faço sempre, o silêncio. 

Mas há uma mágoa.  

Sempre fui positiva. E sempre sorri nos piores momentos. Um escape ou uma forma de "aligeirar" a coisa, sei lá. Não sou de bater na mesma tecla, nem de bater no ceguinho. Mas tenho um coração que me trama tantas vezes. Tantas vezes.

Às vezes estou naquele mundo só meu e rodeada de gente. É como uma cúpula que mais que me proteja que proteja os outros. Dos meus dias não. Dos meus pensamentos negativos. Das minhas cicatrizes. Do meu coração apertado. Da minha vontade de deitar a toalha ao chão. 

Há uma mágoa.  Que me faz respirar mais devagar como se custasse cada sopro.

De cada vez que acho resolvida e que na verdade mói. Belisca. Incomoda.

Por muitos dias que se diga que não,  mas que na verdade sabemos que sim. Por muitos mais dias que acredito e foco - eu sou mais que isto.

Sou das experiências, dos obstáculos, das vitórias, das dificuldades, das conquistas. Sou das pessoas que me são mais, me acrescentam, das que vão ficando e sou também das que passaram. Sou feita de pedaços. Uns com mais aprendizagem que outros. Uns com mais efeitos positivos que outros.

Apetecia-ME falar, mas opto pelo que faço sempre - e quanto a isto, arrisco em dizer - e para sempre.

[ pelo menos até evito a pergunta clichê]

No fim, o importante é apanhar a toalha, enxaguar as lágrimas, respirar fundo e por a toalha para lavar 《 até porque a vida sempre me ensina 》 Respira fundo as vezes que forem necessárias para recomeçar. E recomeça ♡

 

28
Mai18

Mandar tudo para o raio que os parta em voz alta - é terapêutico!

Maria

Douro

 

Eu sou uma pessoa com um sistema nervoso alterado. Mas sou daquelas que acumula (mas também não ando cá a fazer fretes a ninguém). Fica tudinho lá dentro. E muitas vezes acho mesmo que quando eu devia falar não falo. Deixo andar. Quero é mais "que se exploda" e que me deixem na minha. Mas há alturas que, talvez pelo acumular de situações, ou mesmo porque não estás nos teus melhores dias. Ou mesmo porque sabes que basta. As coisas acabam por acontecer de outra maneira e vem um dia que não te calas. Não te apetece dizer "sim sim". Que achas que deves falar das injustiças. Daquilo que te inquieta. E mandar tudo para o raio que os parta em voz alta, porque sabemos que em voz baixa não faltam dias que o faças. E mandar para o raio que os parta a bom mandar, com respeito. Principalmente quando se fala de trabalho, que é o caso. Essa coisa que agradeço todos os dias por ter mas que não deixa de me fazer bater o pé, rodar a baiana e mandar vir, mesmo pedindo calma a todos os santinhos dia sim dia sim enquanto inspiro e expiro um milhão de vezes. 

E eu ia falar de trabalho. Ia, mas já não vou porque só de pensar na última semana, e principalmente na sexta-feira passada a urticária volta. E eu quero "good vibes e bons fellings" para esta nova semana. E continuo a pedir a todos os santinhos, com calma, que não haja muitas "sextas-feiras" daquelas que me fazem sair tanto de mim, querer mandar tudo pelos ares, cheia de stress que não é a minha onda, sem tempo para sorrir e só chorar de nervos abalroada por trabalho. Sozinha. E a receber notícias tão más quanto o dia chatinho. E tudo acaba num "tens razão" que ainda me corrói mais a alma.

Na verdade, assim como desabafei no facebook, acho mesmo que não tenho que aguentar sempre. Não temos. E a sorte que temos de ter um novo dia e do "amanhã" poder ser diferente. Principalmente quando é sábado, que também foi o caso. E principalmente quando se vai desanuviar para um dos melhores lugares do [meu] mundo que também foi o caso (espreitem no instagram).

07
Jan18

Pedir desejos a passas

Maria

Este ano até passei a passagem de ano em casa. Por acaso até tinha passas. E até por acaso foi das primeiras vezes que me lembrei da ideia de fazer tudo direitinho. Subir para uma cadeira à meia noite e comer doze passas pedindo desejos. 

Fiz tudo direitinho, pensei. E pedi saúde. Saúde. 

Eis que se a despedida do ano foi dentro de uma constipação/gripe, mesmo sabendo eu que não sou de simples constipações, o início do ano, estando eu a auto medicar-me com o normal entre um ilvico e um bruffen, não melhorou muito...

Voltei ao trabalho mesmo que a vontade fosse de ficar ali só mesmo no quentinho. E aguentei. Aquilo que pensei ser uma gripe e fora de questão estava de ir às urgências por causa de uma simples gripe continuou ali bem presente, ate que no dia a seguir juntou-se aquela tosse seca, irritante. Mesmo assim evitei e aguentei até que na quarta, alem de já não ter dormido nada de noite, a tosse ficou mais funda, com dor no peito e nas costas e a falta de ar a sufocar-me.

Aqui achei que era melhor mesmo ter juízo e ir às urgências. E fui.

Pulseira amarela no pulso e uma reprimenda de todo o tamanho por causa da demora em ir lá.  Mas então não dizem que isto está tudo entupido e não precisamos de vir para aqui com uma simples gripe?

Pois Maria, tu não tens gripe. Tens uma infecção. Na garganta, nas vias respiratórias e vamos la ver se não é tambémmais nada.

E é aí que a falta de ar que já tinhas te consome ainda mais. Nebulizações para as veias, penicilina de 2400 que ainda me dói pra tutu e injecção  de betametasona (uma pequena bomba com cortisona para te dilatar as veias). O caso não foi simpático.  Mas não me deixo ir na cantiga. Estive três dias sem pregar olho durante a noite por causa das crises da tosse e falta de ar e as mudas do pijama de madrugada. O dormir quase sentada e as horas a olhar para o tecto a enlouquecer com os silêncios. É muito mau mesmo tu quereres não ir abaixo, mas há factores que não consegues ultrapassar. Mais duas penicilinas e enviada directamente ao médico na sexta porque a enfermeira acha que a coisa não melhorou assim tanto mesmo depois daquela carga.

Toma lá mais antibiótico, anti-histamínico e a minha já quase esquecida bomba Pulmicorte, com cortisona.

Sim, e eu ainda pensava que era uma simples gripe.

Estou a recuperar, mesmo aqui um bocadinho abaixo do Polo Norte. Por entre chás quentinhos, mantinhas, descanso e muito carinho.

Sou uma mimada porque tenho mesmo gente que estão sempre aqui. Uma família maravilhosa e depois tenho vizinhos que são uns queridos. A minha rua é melhor que a tua, lembram-se? Uma vizinha de setenta e poucos anos um dia destes à noite tocou à campainha e trouxe um bolo rei e um vinho do porto para me ver. Um amigo trouxe Toblerone e conversa e assim se tem passado.

É difícil de explicar esta sensação de coração acelerado e de falta de ar que de repente aparece, quando na realidade tu até tens medo a cada inspira e expira de as coisas complicarem. Há mesmo coisas que não se explicam. E outras tantas que se guardam só para não preocupar quem está do lado.

Passas, vamos com calma sim?

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